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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

CONCEITOS GEOGRÁFICOS FUNDAMENTAIS

  • Dentre os conceitos da Geografia, o espaço geográfico é o mais abrangente, apresentando-se como "um todo" do qual derivam os demais conceitos e com o qual eles se relacionam. Correa lembra que o termo espaço é de uso corrente, utilizado no dia a dia e em diversas ciências. Nos dicionários, o verbete espaço apresenta numerosos qualificativos, além de ser descrito segundo várias acepções diferentes.

"Entre os astrônomos, matemáticos, economistas e psicólogos, entre outros, utiliza-se, respectivamente, as expressões espaço sideral, espaço topológico, espaço econômico e espaço pessoal".

  • O homem é o agente por excelência do espaço geográfico. O espaço somente passa a existir quando se verifica interação entre o homem e o meio em que vive, do qual retira o que lhe é necessário para a sobrevivência, promovendo alterações de suas características originais. A forma como as sociedades se relacionam com o espaço vai se modificando, enquanto sua capacidade de intervenção se acentua e o espaço geográfico torna-se cada vez mais abrangente, chegando atualmente, a quase se sobrepor a todo o globo. Além disso, a presença humana efetiva não é imprescindível para que uma área seja definida como espaço geográfico, basta que a área esteja inserida nos projetos humanos ou que se verifique intervenção indireta, como por exemplo, através de zoneamentos e delimitação de áreas de preservação.
  • A expressão "espaço geográfico" ou simplesmente "espaço", aparece como vaga, estando associada a uma porção específica da superfície da Terra, identificada, seja pela natureza, como destaca Correa, seja por um modo particular como o homem imprimiu as suas marcas, seja com referência a simples localização. O autor acrescenta que:

"A palavra espaço tem o seu uso associado indiscriminadamente a diferentes escalas, global, continental, regional, da cidade, do bairro, da rua, da casa e de um cômodo no seu interior."
  • O conceito de paisagem está relacionado a tudo que os sentidos humanos podem perceber e aprender da realidade de determinado espaço geográfico ou parte dele, está diretamente relacionado à sensibilidade humana. Há quem entenda a paisagem como uma realidade que pode ser representada visualmente em uma fotografia ou pintura. Embora a visão seja o principal sentido com o qual se observa a realidade, outros sentidos também podem participar da identificação da paisagem, introduzindo-se informações como sons e odores na descrição da paisagem, método através da qual ela pode ser bem explorada.
  • A paisagem também se constitui como uma realidade atual construída através do acúmulo de acontecimentos ou eventos passados, uma vez que o que é observado em uma paisagem da atualidade passou por um processo de constantes mudanças. Esse aspecto pode ser percebido através da observação de fotografias de uma mesma paisagem referentes a períodos diferentes, na qual se pode perceber o que permanece e o que foi sendo alterado, para formar a paisagem atual. De modo geral, as mudanças causadas pela natureza (como por exemplo, a erosão) são percebidas apenas lentamente, enquanto que as alterações humanas são mais rápidas (como por exemplo, a construção de uma cidade), embora um evento natural como terremotos e furacões também possa promover grandes alterações.
  • A paisagem pretérita apresentava um conjunto de muitos elementos naturais, no entanto, a paisagem humanizada tem se expandido, à medida que o homem altera a natureza, mesmo quando modela uma nova paisagem aparentemente natural, como ocorrem com os jardins. As paisagens humanizadas ou artificiais de maior visibilidade são as áreas urbanas construídas pela ação humana. Ao fazer referência à distinção entre paisagens naturais e humanizadas, Santos assim se manifesta:
"A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem. Se no passado havia a paisagem natural, hoje essa modalidade de paisagem praticamente não existe mais [...]. Quanto mais complexa for a vida social, tanto mais nos afastamos de um mundo natural e nos endereçamos a um mundo artificial [...], este parece ser o caminho da evolução."
  • A compreensão do termo território não se restringe a sua situação de conceito geográfico, mas também faz parte do uso corrente de outras ciências, em que é adotado com significados diferentes. Alguns termos têm importantes associações com o conceito de território. O mais importante deles é o poder, já que os territórios são formados fundamentalmente a partir de relações de poder de determinado agente. As fronteiras territoriais também são essenciais, uma vez que delimitam a área alcançada por essas relações de poder, sendo as mais conhecidas, as fronteiras nacionais e outras delimitações políticas como, por exemplo, subdivisões estaduais internas. Da mesma forma que ocorre com vários dos demais conceitos, podemos identificar territórios em níveis escalares diferentes como, por exemplo, em escala mundial, nacional, regional, local.
  • As discussões a respeito da territorialidade destacam a possibilidade de que as relações de poder não necessariamente efetivem áreas de ocupação e controle de determinados agentes, em que as fronteiras podem se manifestar instáveis. A territorialidade se mantém associada às relações de poder e se apresenta como a tentativa de construir um território, nem sempre materializável, através de fronteiras bem delimitadas. As disputas de grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas nas favelas, as áreas de prostituição nas regiões centrais das cidades e as ocupações dos movimentos de trabalhadores sem-terra são alguns exemplos de como a territorialidade pode se constituir.
  • O conceito de região geográfica passou por vários momentos de discussão no interior da Geografia desde sua gênese, em que seu significado foi sendo alterado de acordo com o direcionamento científico. As alterações referentes ao conceito de região se verificam devido a mudanças dentro da própria Geografia, tendo passado pelo uso das seguintes classificações:
    • Região Natural: Surge a partir da inspiração da geologia e entende-se que o ambiente tem certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade, configurando o determinismo geográfico;
    • Região Geográfica ou Região-paisagem: Em que admite-se que a sociedade não é determinada pelo meio em que vive, mas dele dispõe como deseja, transformando-o segundo suas possibilidades;
    • Região Homogênea;
    • Região Funcional: Tendo como pressupostos análises de âmbito econômico e o;
    • Conceito de região associado ao sentimento de pertencimento da população a uma parte do espaço.
  • O desenvolvimento e aceleração do processo de globalização dão a impressão de que o mundo caminha cada vez mais para uma economia unificada, uma dinâmica cultural hegemônica, uma sociedade que só poderá ser compreendida como um processo de reprodução social global. Gomes recorda que alguns autores chegam a enunciar o fim das regiões devido à homogeneização dos espaços e à uniformização dos processos sociais. No entanto, o geógrafo Milton Santos destaca a universalidade do fenômeno da região afirmando que:
"Nenhum subespaço do planeta pode escapar ao processo conjunto de globalização e fragmentação, isto é, individualização e regionalização".
  • As regiões são entendidas como o suporte e a condição das relações globais, sem o qual estas não se realizam
  • O processo de regionalização é o que dá origem às regiões.
  • Dessa forma, secciona-se o espaço geográfico em partes que apresentam internamente características semelhantes. Os elementos internos de uma região não são idênticos, mas quando comparados aos elementos de outra região se percebe certa homogeneidade interna. Para se compreender um processo de regionalização é preciso estabelecer um conjunto de objetivos e de critérios ser de ordem natural, política, econômica, social, etc. Vários tipos de regionalizações para o mesmo espaço podem ser propostos, seguindo objetivos e critérios específicos e promovendo uma sobreposição de regiões. Cada regionalização pode ou não considerar os limites administrativos previamente definidos.
  • O conceito de lugar faz referência a uma realidade de escala local ou regional e pode estar associado a cada indivíduo ou grupo.
  • O lugar pode ser entendido como a parte do espaço geográfico efetivamente apropriada para a vida, área onde se desenvolvem as atividades cotidianas ligadas à sobrevivência e às diversas relações estabelecidas pelos homens. Para compreensão deste conceito evoca-se a "valorização das relações de afetividade desenvolvidas pelos indivíduos em relação ao seu ambiente". O lugar significa muito mais do que simplesmente uma localização geográfica, ele está relacionado aos diversos tipos de experiência e envolvimento com o mundo.
  • Além disso, o lugar também se associa ao sentimento de pertencer a determinado espaço, de identificação pessoal com uma dada área. Cada localidade possui características próprias que, em conjunto, conferem ao lugar uma identidade própria e cada indivíduo que convive com o lugar, com ele se identifica. Dessa forma, o lugar garante a manutenção interna da situação de singularidade. As parcelas do espaço geográfico com a qual cada indivíduo se relaciona e interage compõe o seu lugar. Cada pessoa terá um lugar diferente da outra, na medida em que ambas possuem vida e cotidiano diferentes. O lugar possui também íntima relação com os aspectos culturais que marcam cada sociedade.
  • As redes geográficas adquirem importância cada vez maior no contexto atual. Castells define a rede como "um conjunto de nós interconectados e nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta". Os nós das redes sociais podem ser representados por vários elementos do espaço, como, por exemplo, centros urbanos, bolsas de valores, sistemas de televisão, etc. As redes são o meio através do qual se desenvolvem e se manifestam os diferentes tipos de fluxos, conforme o tipo de rede e de seus nós.
  • A rede urbana é uma forma simples de compreender a organização em redes. Neste caso, identifica-se uma hierarquia de cidades conforme seu porte e sua importância econômica, sendo seus nós compostos por:
    • Cidades globais, metrópoles nacionais, metrópoles regionais, centros regionais, subcentros regioanis e cidades locais.
  • Há uma interligação entre esses nós da rede urbana, entre os quais se estabelecem fluxos de mercadorias, pessoas, serviços, etc.
  • A nova economia mundial está cada vez mais se organizando em torno das redes globais de mercadorias e de capital. A sociedade em redes em suas várias expressões é uma sociedade capitalista em que este modo de produção dá forma às relações sociais em todo o planeta. O desenvolvimento da tecnologia da informação favorece a base material para a expansão das redes em toda a estrutura social a ponto de que a tendência seja de que cada vez mais a sociedade se organize em forma de redes geográficas materiais e não-materiais.
  • As escalas geográficas são compreendidas como níveis em que o espaço é "subdividido" para melhor ser compreendido e analisado. As diferentes escalas são interligadas, uma vez que todas são maneiras de compreender o espaço geográfico. O termo escala pode ser associado `a escala cartográfica, mas deve ultrapassá-la, pois não envolve apenas análise numérica, quantitativa, mas também análise qualitativa dos fenômenos analisados.
  • Devido à dificuldade de seleção de uma escala prioritária e mais adequada para análise de um fenômeno, Vainer propôs a adoção de estratégias transescalares para compreensão dos fenômenos e situações do mundo atual, assim como para promover intervenções. As estratégias transescalares são propostas porque "qualquer projeto de transformação envolve, engaja e exige táticas em cada uma das escalas em que hoje se configuram os processos sociais, econômicos e políticos estratégicos". A escala em si é menos importante que a capacidade de articulação entre variadas escalas.
Associação dos Conceitos aos Conteúdos Geográficos
  • A aprendizagem e assimilação dos conteúdos geográficos escolares passam pela identificação da presença dos conceitos no interior do assunto discutido e estudado e pela sua compreensão.
  • Alguns exemplos de associação dos conceitos aos conteúdos são abaixo delimitados:
    • Sociedade: Grupo de indivíduos (ou animais) que vive em um determinado espaço geográficos e que segue certas regras. Exemplos: sociedades das abelhas, das formigas, humana, etc.
    • O termo Sociedade pode ser empregado sob dois sentidos:
      • Sociedade Humana (engloba toda a humanidade);
      • Sociedade Específica (referindo-se a determinados grupos humanos, como por exemplo: a sociedade indígena dos ianomâmis, a sociedade brasileira, etc).
    • Espaço geográfico: A identificação das áreas do globo em que o homem promoveu alterações define o espaço geográfico, e as formas como a sociedade foi se desenvolvendo demonstra o aumento da capacidade de intervir cada vez mais e de forma mais intensiva no meio natural; as consequências da ação humana são parte essencial da configuração do espaço geográfico e os problemas ambientais, verificados atualmente, são decorrentes da expansão do espaço geográfico.
    • Paisagem: As grandes paisagens naturais do globo representam um bom conteúdo no interior do qual se pode implementar a discussão da paisagem geográfica; a comparação entre paisagens de diferentes países demonstra como o ambiente e a cultura alteram a forma de intervenção humana na natureza; e a análise das paisagens urbanas e das áreas industriais demonstram a expansão da paisagem humanizada e a capacidade criada criadora do ser humano.
    • Território: A conquista de áreas no período colonial e imperialista ganha mais significado com a participação do conceito de território, assim como a compreensão do papel do Estado Nacional. Outros agentes das relações de poder que constituem os territórios, assim como outras escalas de análise também se inserem na importância deste conceito como, por exemplo, as reivindicações de sociedades tradicionais ribeirinhas e quilombolas.
    • Região: As diferentes propostas de divisões regionais do Brasil apresentam critérios de regionalização diferentes. A partir da compreensão do conceito de região torna-se fácil identificar que cada tipo de regionalização foi elaborado tendo um pressuposto anterior e atende a uma finalidade específica. Os critérios utilizados na regionalização esclarecem o olhar através do qual se deseja analisar e compreender a realidade de determinada área.
    • Lugar: Quando se depara com o universo da realidade cultural, percebe-se que em muitas situações as características de alguns locais insistem em permanecer, não desaparecendo devido ao processo de globalização, e o conceito de lugar ajuda a compreender esta dinâmica. Os aspectos culturais adquirem importância quando se avalia o apego e a relação dos indivíduos com o seu lugar, parte do espaço geográfico com a qual os antepassados se relacionavam e a comunidade atualmente residente mantêm relação direta. Ao se estudar o processo de globalização pode-se salientar que ele muitas vezes contribui para fortificar uma identidade local ao invés de destruí-la.
    • Redes: A organização em redes pode ser analisada por meio das discussões sobre a estrutura urbana de um país, da compreensão do funcionamento mundial das redes de tráfico de drogas ou da acessibilidade à internet. A rede de transporte também pode ser entendida como estratégia de ação de empresas logísticas e distribuidoras de mercadorias. O conceito de redes permite compreender o fundamento de muitos conteúdos escolares como a presença e influência das cidades globais e ainda a distribuição da Coca-Cola mundialmente.
    • Escalas: Cada fenômeno pode ser analisado em uma escala primária e se relacionar a outras análises escolares, quando se adquire a habilidade de reflexão transescalar. A influência dos EUA pode ser pensada internacionalmente e chegar a identificação de elementos dessa atuação nas pequenas cidades brasileiras; da mesma forma, um fenômeno que a princípio pareça apenas de nível local pode ganhar proporções mundiais como o gás carbônico liberado localmente, que pode contribuir para o fenômeno do aquecimento global.
Os Lugares e as Paisagens
  • Como já visto nos Conceitos Geográficos Fundamentais, a Geografia é uma ciência que busca compreender melhor o mundo em que vivemos e explicar, entre tantas outras coisas, as diferenças e desigualdades existentes na sociedade por meio do estudo do espaço geográfico.
  • Feita tal introdução, estudaremos:
    • As diferentes paisagens do mundo e suas transformações;
    • O conceito de lugar e como cada lugar é formado e modificado ao longo do tempo;
    • O espaço geográfico;
    • Divisões do mundo: países, territórios, regiões, continentes e oceanos.
Imagens do Mundo: A Paisagem para a Geografia
  • A paisagem é tudo o que podemos perceber em um lugar, em um determinado momento por meio de nossos sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato). Estudar a paisagem leva-nos a descobrir muitas coisas sobre a História dos lugares e nos ajuda a compreender onde e como vivemos.
  • Dependendo do ângulo e do que podemos enxergar, a paisagem pode variar. Se duas pessoas diferentes observam a mesma paisagem, elas podem representa-la de modo totalmente distinto, já que cada uma tem seu ponto de vista e pode destacar alguns aspectos e outros não. Além disso, quanto mais ampla a visão, mais elementos conseguimos abarcar.
  • Em cada lugar que frequentamos, as paisagens nos mostram diferentes combinações de construções, cores, formas, cheiros, sons e ocupações do espaço.
Os Elementos da Paisagem
  • Chamamos de elementos tudo aquilo que compõe a paisagem: todos os objetos e também os seres vivos presentes em um lugar. Os elementos podem ser divididos em naturais ou sociais.
  • Os elementos naturais são aqueles que foram compostos pela ação da natureza, como montanhas, rios, mares, dunas, etc.
  • Os elementos sociais são aqueles que foram feitos ou modificados pela sociedade. Por exemplo: indústrias, ruas, construções, plantações, etc.
  • A presença de elementos naturais em uma paisagem não exclui a existência de elementos sociais e vice-versa. Muito pelo contrário: as paisagens são, muitas vezes, uma combinação da interação entre ambos.
Transformações da Paisagem
  • As paisagens não são estáticas, paradas como aparentam ser em fotografias. Isso quer dizer que elas estão em constante transformação. Essa transformação é resultado da interação entre os movimentos da natureza e a ação dos homens.
  • A paisagem é moldada pela dinâmica dos elementos naturais, como os mares, os rios, o vento, a chuva, a vegetação, o relevo, o sol. As paisagens naturais demoram milhares de anos para serem formadas, mas podem ser alteradas rapidamente pela ação humana.
  • Os movimentos da natureza também podem ocasionar mudanças bruscas, como no caso de alguns fenômenos e desastres naturais.
  • A paisagem também revela a relação das pessoas com o lugar em que elas vivem. Os seres humanos estão constantemente modificando a paisagem para atender aos interesses e às necessidades da sociedade. A construção de prédios, ruas, fábricas, a canalização de rios e a derrubada de árvores são exemplos das transformações feitas pelo ser humano.
  • Com o passar do tempo, o ser humano foi realizando novas construções e substituindo ou mantendo as antigas. A combinação de formas recentes e antigas compõe a paisagem e revela a sociedade que habita aquele lugar.
Aqui é o meu Lugar: Lugar e Olhar Geográfico
  • O que o senso comum nos diz respeito do conceito de lugar, baseia-se em:
    • Espaço determinado;
    • Área ocupada ou que pode ser ocupada por pessoas ou objetos;
    • Localidade, circunvizinhança.
  • Para a Geografia, o conceito de lugar não é considerado apenas como um local, um recorte do espaço ou uma paisagem sem movimento. O olhar geográfico nos diz que há uma dinâmica nos lugares, uma constante transformação de paisagem pelo ser humano.
  • Os elementos essenciais de um lugar, portanto, vão além do que o senso comum nos diz.
Lugar e Identidade
  • Ao observar uma paisagem e descobrir quais são suas principais características, é possível conhecer também sua história e o cotidiano de seus habitantes. Isso determina a identidade e a função que um lugar tem em relação a outros lugares do mundo.
  • A História de um lugar constitui-se das relações entre as pessoas que ali vivem e das transformações na paisagem (seja ela qual for) decorrentes do trabalho e da necessidade de sobrevivência do ser humano. Sendo assim, o conceito de lugar considera que ele é construído pela sociedade, ou seja, pelos indivíduos que fazem parte dela.
O lugar e o passar do tempo: O espaço e o tempo 
O espaço geográfico

  • Há pessoas que vivem em cidades, outras, em zonas rurais, ou em áreas próximas a centros urbanos, em fazendas, praias, prédios, perto de rios, córregos, florestas, em bairros industriais ou residenciais, em aldeias, comunidades ou a redor de montanhas.
  • Todos esses são espaços em que o ser humano foi construindo uma relação e identidade e modificando-os ao longo de 200 mil anos, idade aproximada do homo sapiens.
  • Por isso o espaço geográfico foi, é, e continuará sendo construído por nós, pois desde sempre o homem conviveu com a natureza, tornando-a fonte de vida e de recursos para sua sobrevivência, ao retirar dela alimentos, matéria-prima para construção de sua vivenda e confecção de utensílios de caça e defesa.
  • O espaço geográfico é resultado da ação do ser humano em interação com a natureza, é a ação no presente, que deixará marcas no futuro. Mas como ocorre a ação humana na natureza? Por meio do trabalho, ao utilizar-se de técnicas acumuladas ao longo do tempo.
  • O espaço geográfico é, portanto, a materialização das ações da sociedade.
O Mundo e suas Divisões: Há muitos diferentes lugares no mundo

  • A maior parte do planeta em que vivemos é ocupada por mares e oceanos, com destaque para os oceanos Pacífico, Índico e Atlântico, que representam mais de 70% da área total da Terra. O restante, menos de 30%, é ocupado pelos continentes, grandes massas de terra emersas cercadas pelos oceanos.
  • O mundo é dividido em seis continentes:
    • América, África, Europa, Ásia, Oceania e Antártida.
  • Ao se observar a divisão deles, nota-se que existe uma grande massa contínua de terra que fora dividida em três continentes distintos: Europa, Ásia e África. Essa divisão ocorreu devido a critérios físico-naturais.
  • As diferenças históricas, políticas, econômicas e culturais entre povos distintos não se restringem à escala continental. É possível observá-las, inclusive, dentro de um mesmo país ou de uma mesma cidade.
  • A diferenciação cultural manifesta-se por meio de várias formas; por exemplo, o modo de se vestir, a alimentação, a religião, a música, os idiomas, as leis ou mesmo como as pessoas relacionam-se entre si.
Países e Territórios: Diferentes Povos, Sociedades e Nações

  • Ao analisarmos o mapa político mundial, percebemos que países tem tamanhos muito diferentes. Enquanto China, Rússia, Brasil, Canadá, Austrália e EUA possuem uma grande extensão, os países europeus restringem-se, de modo geral, a áreas menores do que a maior parte dos estados brasileiros.
  • Com exceção da Antártida, os continentes são divididos em países, cujas fronteiras estão representadas em um mapa. Cada país é organizado em torno de um Estado, uma instituição soberana que cria as leis e define as políticas dentro de um limite territorial. Em outras palavras, um Estado não existe se a ele não possuir um território.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Pirâmide etária do Brasil (1980-2060)

Neste vídeo, produzido pelo canal ARCO vemos um gráfico animado sobre a expectativa etária do Brasil começando em 1980 até o ano de 2060.
Assistam e tirem suas conclusões.






quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Aula 2.4 - Movimento das Placas

Nesse vídeo, damos continuidade ao tema das placas tectônicas falando sobre os tipos de placas tectônicas.


*OBS: O final eu fiquei sem áudio, mas não alterou o conteúdo do vídeo.







terça-feira, 1 de outubro de 2019

COORDENADAS GEOGRÁFICAS

  • As coordenadas nos auxiliam na localização precisa de elementos no espaço geográfico. Elas podem ser geográficas ou alfanuméricas.
  • O globo terrestre pode ser dividido por uma rede de linhas imaginárias que permitem localizar qualquer ponto em sua superfície. Essas linhas determinam dois tipos de coordenada:
    • A latitude e a longitude, que em conjunto são chamadas de coordenadas geográficas.
  • Num plano cartesiano matemático, a localização de um ponto é determinada pelo cruzamento das coordenadas x e y. Numa esfera, o processo é semelhante, mas as coordenadas são medidas em graus.
  • As coordenadas geográficas funcionam como "endereços" de qualquer localidade do planeta. O Equador corresponde ao círculo máximo da esfera, traçado num plano perpendicular ao eixo terrestre, e determina a divisão do globo em dois hemisférios (do grego hemi, "metade", e sphaera, "esfera"): o norte e o sul. 
  • A partir do Equador, podemos traçar círculos paralelos que, à medida que se afastam para o norte ou para o sul, diminuem de diâmetro. A latitude é a distância em graus desses círculos, chamados paralelos, em relação ao Equador, e varia de 0º a 90º tanto para o Norte (N) quanto para o Sul (S).
  • O Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio são linhas imaginárias situadas à latitude aproximada de 23º N e de 23º S, respectivamente.
  • Os círculos polares também são linhas imaginárias, situadas à latitude aproximada de 66º N e de 66º S.
     
  • Conhecer apenas a latitudes de um ponto, porém, não é suficiente para localizá-lo. Ao procurar-se, por exemplo, um ponto a 20º ao sul do Equador, se encontrará não apenas um, mas inúmeros pontos situados ao longo do paralelo 20ºS. Por isso, é necessária uma segunda coordenada que permita-se localizar um determinado ponto.
  • Para determinar a segunda coordenada, a longitude, foram traçadas linhas que cruzam os paralelos perpendicularmente. Essas linhas, que também cruzam o Equador, são denominadas meridianos (do latim meridiánus, "de meio-dia, relativo ao meio-dia"). Os meridianos são semicircunferências que têm o mesmo tamanho e convergem para os pólos.
  • Como referência, convencionou-se internacionalmente adotar como meridiano 0º, o que passa pelo Observatório Real de Greenwich, nas proximidades de Londres (Inglaterra), e o meridiano oposto, a 180º, foi chamado de "antimeridiano".
  • Esses meridianos dividem a Terra em dois hemisférios:
    • Ocidental, a oeste de Greenwich e;
    • Oriental, a leste de Greenwich.
  • Assim, os demais meridianos podem ser identificados por sua distância, medida em graus, ao meridiano de Greenwich. Essa distância é a longitude e varia de 0º a 180º tanto para leste (E) quanto para oeste (W).
GRADE DE PARALELOS E MERIDIANOS (COORDENADAS GEOGRÁFICAS)




  • Se procurarmos, por exemplo, um ponto de coordenadas 51º N e 0º, será fácil encontrá-lo: estará no cruzamento do paralelo 51º N com o meridiano 0º. Consultando um mapa, verificaremos que este ponto está muito próximo do Observatório de Greenwich, na Inglaterra.
  • Para localizar com exatidão um ponto no território, indicam-se as medidas em graus (º), minutos (') e segundos ("). As coordenadas geográficas do Observatório de Greenwich, por exemplo, são 51º28'38" e 0º0'0". Perceba que sem a latitude é possível identificarmos o meridiano de Greenwich, mas não o observatório inglês que foi utilizado como referência para definição do meridiano zero.
MOVIMENTOS DA TERRA E ESTAÇÕES DO ANO
  • Não se sabe exatamente quando o ser humano descobriu que a Terra é esférica, mas sabe-se que Eratóstenes (276 a.C. - 194 a.C.), astrônomo e matemático grego, foi o primeiro a calcular, há mais de 2 mil anos, com precisão, a circunferência calculada por Eratóstenes (40.000 quilômetros) e a determinada hoje, com o auxílio de métodos muito mais precisos (40.075 quilômetros, no Equador), como se vê, é bem pequena.
  • A esfericidade do planeta é responsável pela existência das diferentes zonas climáticas (polares, temperadas e tropicais), pois os raios solares atingem a Terra com diferentes inclinações e intensidades. Próximo ao Equador, os raios solares incidem perpendicularmente sobre a superfície, porém, quanto mais nos afastamos dessa linha, mais inclinada é essa incidência. Consequentemente, a mesma quantidade de energia se distribui por uma área cada vez maior, diminuindo, portanto, sua intensidade. Esse fato torna as temperaturas progressivamente mais baixas à medida que nos aproximamos dos pólos.
  • O eixo da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita ao redor do sol (movimento de translação). Uma consequência desse fato é a ocorrência das estações do ano.
  • Em 21 ou 22 de dezembro (a data e a hora de início das estações variam de um ano para outro), o hemisfério sul recebe os raios solares perpendicularmente ao Trópico de Capricórnio; dizemos, então, que está ocorrendo o solstício de verão.
  • O solstício (do latim solstitium, "Sol estacionário") define o momento do ano em que os raios solares incidem perpendicularmente ao Trópico de Capricórnio, dando início ao verão no hemisfério sul. Depois de incidir nessa posição, parecendo estacionar por um momento, o sol inicia seu movimento aparente em direção ao norte. Esse mesmo instante marca o solstício de inverno no hemisfério norte, onde os raios estão incidindo com inclinação máxima.
  • Seis meses mais tarde, em 20 ou 21 de junho, quando metade do movimento de translação já se completou, as posições se invertem:
    • O Trópico de Câncer passa a receber os raios solares perpendicularmente (solstício de verão), dando início ao verão no hemisfério norte e ao inverno no hemisfério sul.
  • Em 20 ou 21 de março e em 22 ou 23 de setembro, os raios solares incidem sobre a superfície terrestre perpendicularmente ao Equador. Dizemos então que estão ocorrendo equinócios (do latim aequinoctium, "igualdade dos dias e das noites"), ou seja, os hemisférios estão iluminados por igual. No mês de março iniciam-se o outono no hemisfério sul e a primavera no hemisfério norte; no mês de setembro, o inverso (primavera no sul e outono no norte).
  • O dia e a hora do início dos solstícios e dos equinócios mudam de um ano para outro; consequentemente, a duração de cada estação varia.
  • Em virtude da inclinação do eixo terrestre, os raios solares só incidem perpendicularmente em pontos localizados entre os trópicos (a chamada zona tropical), que, por isso, apresentam temperaturas mais elevadas. Nas zonas temperadas (entre os trópicos e os círculos polares) e nas zonas polares, o sol nunca fica a pino, porque os raios sempre incidem obliquamente.
  • Outra consequência da inclinação, associada ao movimento de rotação da Terra, é a duração desigual do dia e da noite ao longo do ano. Nos dois dias de equinócio, quando os raios solares incidem perpendicularmente ao Equador, o dia e a noite têm 12 horas de duração em todo o planeta, com exceção dos pólos, que têm 24 horas de crepúsculo.
  • Quando é dia de solstício de verão em um hemisfério, ocorrem o dia mais longo e a noite mais curta do ano nessa metade da Terra; no mesmo momento, no outro hemisfério, sob o solstício de inverno, acontecem a noite mais longa e o dia mais curto.
  • No Equador não há variação no fotoperíodo, mas à medida que nos afastamos dele, essa diferença aparece. Conforme aumenta a latitude, tanto para o norte como para o sul, os dias ficam mais longos no verão e mais curtos no inverno.
REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS, ESCALAS E PROJEÇÕES
  • Para localizar um determinado lugar é importante utilizar a representação e a escala mais adequadas. Por exemplo, para encontrar uma rota de viagem por terra, o ideal é utilizar um mapa rodoviário, e não o mapa-múndi ou o globo.
  • O globo terrestre é feito numa escala muito pequena, ou seja, os elementos representados nele são muito reduzidos.
  • Imagine quantas vezes o planeta Terra e os elementos sociais e naturais que compõem foram reduzidos para caber num globo como o que eles consultaram ou num planisfério do tamanho de uma folha. O uso da escala adequada é fundamental para a localização exata do local procurado.
  • O globo terrestre, embora mantenha as características do planeta em termos de formas e distâncias, tem utilização prática reduzida: é difícil transportá-lo em viagens ou fazer medidas em sua superfície. Por isso, os cartógrafos inventaram projeções que permitem representar o planeta esférico numa superfície plana.
  • O problema é que qualquer projeção provoca algum tipo de distorção. Por que isso ocorre?
    • Em um planeta esférico em movimento no espaço sideral não existe acima nem abaixo. No entanto, a maioria dos mapas impressos apresenta o norte na parte de "cima" da representação.
  • Por que quase sempre vemos o hemisfério norte em destaque nos mapas? Podemos, em vez disso, mostrar o hemisfério sul em destaque? Ou mesmo o leste ou o oeste?
REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA
Evolução Tecnológica
  • A observação da paisagem é o primeiro procedimento para a compreensão do espaço geográfico, seguido do registro do que foi observado, daí a importância do mapa.
  • Em um mapa, os elementos que compõem o espaço geográfico são representados por pontos, linhas, texturas, cores e textos, ou seja, são usados símbolos próprios da Cartografia. Diante da complexidade do espaço geográfico, algumas informações são sempre priorizadas em detrimento de outras. Seria impossível representar todos os elementos físicos, econômicos, humanos e políticos, num único mapa. Seu objetivo fundamental é permitir o registro e a localização dos elementos cartografados e facilitar a orientação no espaço geográfico. Portanto, qualquer mapa será sempre uma simplificação da realidade para atender ao interesse do usuário.
  • Além das coordenadas geográficas ou alfanúmericas (localização) e da indicação dos pontos cardeais (orientação) um mapa precisa ter:
    • Título: Informa os fenômenos representados;
    • Legenda: Mostra o significado dos símbolos utilizados;
    • Escala: Indica a proporção entre a representação e a realidade, e permite calcular as distâncias no terreno com base em medidas feitas no mapa.
  •  O mapa é uma das mais antigas formas gráficas de comunicação, precedendo mesmo a própria escrita. Os primeiros mapas foram esculpidos em pedra ou argila. O mais antigo que se tem registro é o mapa de Ga-Sur. Ele foi encontrado em 1930 nas ruínas dessa cidade, situada a cerca de 300 km ao norte da antiga Babilônia. Ele é um esboço rústico esculpido num pedaço de argila cozida. Estima-se que esse mapa tenha sido feito por volta de 2500 a.C. na Mesopotâmia, pelos sumérios. 
  • Com o tempo, os mapas passaram a ser desenhados com tecido, couro, pergaminho ou papiro. Com a invenção da imprensa, começaram a ser gravados em originais de pedra ou metal e, em seguida, impressos em papel. Hoje, são processados em computador e podem ser analisados diretamente na tela digital.
  • O aprimoramento dos satélites e dos computadores permitiu grandes avanços nas técnicas de coleta, processamento, armazenamento e representação de informações da superfície terrestre, causando grande impacto nos processos de elaboração de mapas e nos conceitos de Cartografia.
Tipos de Produtos Cartográficos

  • Os mapas podem ser classificados em topográficos (ou de base) e temáticos. Num mapa topográfico, representa-se a superfície terrestre o mais próximo possível da realidade, dentro das limitações impostas pela escala pequena. Na carta topográfica, feita em escala média ou grande, há mais precisão entre a representação e a realidade.
  • Na carta topográfica, as variáveis da superfície da Terra são representadas com maior grau de detalhamento e a localização é mais precisa. Isso torna possível identificar a posição planimétrica, que é a representação de fenômenos geográficos no plano, na horizontal, e a altimétrica, que é a representação vertical, altitude do relevo, de alguns elementos visíveis do espaço. Mapas e cartas topográficas são resultantes de levantamentos sistemáticos feitos por órgãos governamentais ou empresas privadas. Os mapas topográficos servem de base para os mapas temáticos.
  • Um mapa temático contém informações selecionadas sobre determinado fenômeno ou tema do espaço geográfico:
    • Naturais, como geologia, relevo, vegetação, clima, etc., ou sociais, como população, agricultura, indústrias, urbanização, etc.
  • Nesse tipo de mapa, a precisão planimétrica ou altimétrica tem importância menor, as representações quantitativa e qualitativa dos temas selecionadas são mais relevantes.
Escala e Representação Cartográfica
  • Inicialmente é importante fazer uma distinção entre escala geográfica e escala cartográfica. A primeira define a escala da análise geográfica, o recorte espacial, ou seja, local, regional, nacional ou mundial.
  • A segunda define a escala de representação, ou seja, indica a relação entre o tamanho dos objetos representados na planta, carta ou mapa e o tamanho deles na realidade.
  • Ao estudarmos a escala cartográfica e suas relações matemáticas, vamos perceber sua permanente relação com a escala geográfica. Por exemplo, a análise de fenômenos locais necessita de plantas em escala grande, já análise de fenômenos mundiais exige mapas em escala pequena. Ou seja, quanto maior a escala de análise geográfica, menor a escala cartográfica, e vice-versa.
  • É impossível encontrar uma rua de qualquer cidade brasileira em um mapa-múndi ou no mapa político do Brasil. A escala utilizada nessa representação - 1:34000000 - é pequena; nela 1 cm equivale a 340 km e até mesmo uma metrópole se torna apenas um ponto.
  • Para representar uma rua, é preciso usar uma escala grande, na qual seja possível visualizar os quarteirões, como a de 1:10000. Perceba que, dependendo da escala utilizada, um mesmo fenômeno espacial, pode ser representado como ponto ou como área.

Representação Cartográfica

  • O uso de planta, carta ou mapa está diretamente associado à necessidade do usuário. Se uma pessoa tem a intenção de:
    • Procurar uma rua, a opção será por uma planta da cidade, na escala grande - cerca de 1:10000;
    • Localizar os bairros do entorno, deverá utilizar a carta da cidade, na escala média - cerca de 1:50000;
    • Identificar as cidades vizinhas, deverá consultar um mapa do estado, na escala pequena - 1:1000000.
  • Conforme a escala vai gradativamente ficando menor, ocorre um aumento da área representada e uma diminuição do grau de detalhamento dos elementos cartografados.
  • Nessas representações cartográficas não há legenda porque o objetivo é apenas destacar as diferentes escalas.
Globo 

  • Representação cartográfica sobre uma superfície esférica, em escala pequena, dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade cultural e ilustrativa.
Mapa e suas Características

  • Representação plana;
  • Geralmente em escala pequena;
  • Área delimitada por acidentes naturais (bacias, planaltos, chapadas, etc.), limites políticos-administrativos;
  • Destinado a fins temáticos, culturais ou ilustrativos.
  • A partir dessas características pode-se generalizar o conceito:

"Mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos temáticos, culturais e ilustrativos".
Carta e suas Características 

  • Representação plana;
  • Escala média ou grande;
  • Desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática;
  • Limites das folhas constituídos por linhas convencionais;
  • Destinada à avaliação precisa de direções e distâncias e à localização de pontos, áreas e detalhes.
  • Da mesma forma que da conceituação de mapa, pode-se generalizar:
"Carta é a representação no plano, em escala média ou grande, dos aspectos superficiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais, paralelos e meridianos com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com grau de precisão compatível com a escala".
Planta

  • A planta é um caso particular de carta. A representação se restringe a uma área muito limitada e a escala é grande, consequentemente o número de detalhes é bem maior.
"Carta que representa uma área de extensão suficientemente restrita para sua curvatura não precise ser levada em consideração, e que, em consequência, a escala possa ser considerada constante".
Usando a Escala 

  • Vamos desenvolver um exemplo de como a escala pode ser usada. Considere as seguintes convenções:
    • Escala = 1/N
      • N = Denominador da escala
      • D = Distância na superfície terrestre
      • d = Distância no documento cartográfico
  • Suponhamos o seguinte problema:
    • Um motorista, vindo pela BR-376, após entrar na BR-101, percorrerá na distância até cruzar o oleoduto da Petrobras? Na carta apresentada, essa distância mede cerca de 8 centímetros.
    • Temos:
      • Escala da carta = 1/50000 (N = 50000), pode-se ler também 1:50000 (um por cinquenta mil).
      • Logo, 1 cm na carta equivale a 50000 cm ou 500 m ou ainda 0,5 km na superfície terrestre.
      • Assim, temos o denominador da escala já convertido para km, a distância na carta e queremos saber a distância na superfície terrestre.
        • N = 0,5 km
        • d = 8 cm
        • D = ?
    • Aplicando uma regra de três simples:
      • 1 cm - 0,5 km
      • 8 cm - D
      • D = 8 x 0,5
      • D = 4 km
    • Portanto:
      • D = d x N
    • A resposta do problema: A distância a ser percorrida pelo motorista é de 4 km.
  • Agora vamos supor que temos a distância na superfície terrestre, o denominador da escala e queremos encontrar a distância na carta:
    • D = 4 km
    • N = 0,5 km
    • d = ?
    • 1 cm - 0,5 km
    • d - 4 km
    • d x 0,5 = 1 x 4
    • d = 4/0,5
    • d = 8 cm
    • Portanto:
      • d = D/N
    • Finalmente, supondo que temos a distância na superfície terrestre e na carta e queremos saber o denominador da escala:
      • D = 4 km
      • d = 8 cm
      • Escala = ?
      • 1 cm - N
      • 8 cm - 4 km
      • N x 8 = 1 x 4
      • N = 4/8
      • N = 0,5 km (que equivale a 50000 cm)
      • Escala = 1/N = 1/50000 ou 1:50000
    • Portanto:
      • N = D/d
  • Uma escala pode ser expressa de duas formas:
    • Numérica
      • 1:50000
    • Gráfica
  • Em alguns mapas, abaixo da escala (numérica ou gráfica) ainda há um lembrete, por exemplo: "1 cm no mapa correspondente a 0,5 km no terreno".
  • Para medir em uma carta ou mapa a extensão de linhas sinuosas, como rodovias, ferrovias, rios, etc., utiliza-se um curvímetro, como aparece na foto abaixo.
  • Não dispondo desse aparelho, um modo prático de fazer medidas, embora não muito preciso, é estender um barbante sobre o traço de, por exemplo, uma rodovia, medi-lo com uma régua e, considerando a escala, fazer o cálculo da distância; ou então, se houver escala gráfica, esticá-lo diretamente sobre ela.
Projeções Cartográficas 

  • Uma projeção cartográfica é o resultado de um conjunto de operações que permite representar no plano, tendo como referência paralelos e meridianos, os fenômenos que estão dispostos na superfície esférica. Quando vista do espaço sideral, a Terra parece ser uma esfera perfeita, mas nosso planeta apresenta uma superfície irregular e é levemente achatada nos pólos. Por isso, os cartógrafos geógrafos e outros e outros profissionais que produzem mapas fazem seus cálculos utilizando uma elipse, que ao girar em torno de seu eixo menor forma um volume, o elipsoide de revolução.
  • O elipsoide de revolução é uma superfície teórica regular, criada para fins cartográficos, que evidencia o achatamento nos polos terrestres.
  • Segundo o IBGE:
 "O elipsoide é a superfície de referência utilizada nos cálculos que fornecem subsídios para a elaboração de uma representação cartográfica".

  • Ao fazerem a transferência de informações do elipsoide para o plano, os cartógrafos se deparam com um problema insolúvel: qualquer que seja a projeção adotada, sempre haverá algum tipo de distorção nas áreas, nas formas ou nas distâncias da superfície terrestre representadas.
  • Não há distorção perceptível somente em representações de escala suficientemente grande, como é o caso das plantas, nas quais não é necessário considerar a curvatura da Terra.
  • As projeções podem ser classificadas em conformes, equivalentes, equidistantes ou afiláticas, dependendo das propriedades geométricas presentes na relação globo terrestre/mapa-múndi. Além disso, podem ser agrupadas em três categorias principais, dependendo da figura geométrica empregada em sua construção: cilíndricas (as mais comuns), cônicas, azimutais ou planas. Observe-as a seguir.
Projeção Cilíndrica

  • Observe que na projeção cilíndrica o globo terrestre parece estar envolvido por um cilindro de papel no qual são projetados os paralelos e os meridianos.
Projeção cônica

  • Na projeção cônica, o globo parece estar envolvido por um cone de papel no qual são projetados os paralelos e os meridianos.
Projeção azimutal ou plana


  • Na projeção azimutal ou plana, a Terra parece ser tangenciada em qualquer ponto por um pedaço de papel no qual são projetados os paralelos e os meridianos. Quando o globo é tangenciado num dos polos, dizemos que se trata de uma projeção polar.
Conformes
  • Projeção conforme é aquela na qual os ângulos são idênticos aos do globo, seja em um mapa-múndi, seja em um mapa regional. Nesse tipo de projeção, as formas terrestres são representadas sem distorção, porém, com alteração do tamanho de suas áreas. Apenas nas proximidades do centro de projeção, neste caso o Equador, é que se verifica a distorção mínima. Quanto maior o distanciamento a partir dessa linha imaginária, maior é a distorção. Por essa razão, quando se utiliza esse tipo de projeção, geralmente só são reproduzidos os territórios situados até 80º de latitude.
  • A mais conhecida projeção conforme é a de Mercator, cartógrafo e matemático belga cujo nome verdadeiro era Gerhard Kremer (1512 - 1594). Em 1569, época em que os europeus comandavam a Expansão Marítima, Mercator abriu novas perspectivas para a cartografia, ao construir uma projeção cilíndrica conforme que imortalizou seu codinome.

Projeção de Mercator Original

  • Essa representação foi elaborada para facilitar a navegação, pois permitia representar com precisão, no mapa, a rede de coordenadas geográficas e os ângulos obtidos pela bússola (pontos cardeais).
  • O mapa-múndi de Mercator, no qual a Europa aparece numa posição central, superior e, por se situar em altas latitudes, proporcionalmente maior do que é na realidade, acabou se transformando no principal representante da visão eurocêntrica do mundo. Durante séculos, foi uma das projeções mais usadas na elaboração de planisférios e, apesar do surgimento posterior de muitas outras, ainda hoje é bastante usada.
  • Esses primeiros mapas-múndi, especialmente o de Mercator, colocavam a Europa em destaque, no "centro" da representação, e o hemisfério norte, onde está localizada, na parte de "cima". Os europeus estavam explorando o mundo e fundando colônias; portanto, era natural que ao representar o planeta se visem dessa forma. É isso que chamamos de visão eurocêntrica.

Projeção de Mercator Atual



  • Quando representada na projeção de Mercator, a Groenlândia parece ser maior que o Brasil e até mesmo que a América do Sul. O mapa originalmente feito por Mercator, não mostrava os continentes de forma precisa como este planisférico, produzido de acordo com a projeção por ele criada, mas com as técnicas cartográficas disponíveis atualmente.
Equivalentes
  • Num mapa-múndi ou regional com projeção equivalente, as áreas mantêm-se proporcionalmente idênticas às do globo terrestre, embora as formas estejam deformadas em comparação com a realidade. Um exemplo desse tipo de projeção é o mapa-múndi de Peters, elaborado pelo historiador e cartógrafo alemão Arno Peters (1916 - 2002) e publicado pela primeira vez em 1973. Observe-a abaixo.

Projeção de Peters

  • Embora essa projeção não tenha rompido completamente com a visão eurocêntrica, acabou dando destaque aos países de baixa latitude. Ela atendia aos anseios dos Estados que se tornaram independentes após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), nessa época considerados subdesenvolvidos, situados em grande parte ao sul das regiões mais desenvolvidas. Em alguns países, essa projeção chegou a ser impressa de forma invertida em relação à convenção cartográfica dominante, mostrando o sul em destaque. O mapa-múndi de Hobo-Dyer, outra projeção equivalente, também representa o mundo de forma "invertida". Portanto, não há uma forma certa ou errada de representar o mundo. Cada uma das representações cartográficas expressa um ponto de vista de um Estado nacional, de um povo ou mesmo de uma religião.
  • Na projeção de Peters parece que os continentes e países foram alongados nos sentidos norte-sul. Há uma distorção em suas formas, mas todos mantêm seu tamanho proporcional. Por exemplo, a Groenlândia, embora irreconhecível, aparece bem menor que o Brasil e a América do Sul, com é na realidade.

Projeção de Hobo-Dyer 




  • Esse mapa-múndi é uma projeção cilíndrica equivalente, semelhante à de Peters, e foi criado em 2002 para mostrar uma visão alternativa do mundo. Foi encomendado por Bob Abramms e Howard Bronstein, respectivamente, fundador e presidente da empresa ODT Maps (sediada em Amherst, no Estado de Massachusetts, nos EUA), ao cartógrafo inglês Mick Dyer. O nome da projeção resulta da junção de duas sílabas iniciais dos nomes de Howard e Bob com o sobrenome Mick. Está centrada na África e mostra o sul em destaque.
Equidistantes

  • Nos mapas-múndi e com projeção azimutal ou plana equidistante, a representação das distâncias entre dois lugares é precisa. Elaborada pelo astrônomo e filósofo francês Guillaume Postel (1510 - 1581) e publicada no ano de sua morte, adota como centro da projeção um ponto qualquer do planeta para que seja possível medir a distância entre esse ponto e qualquer outro. Por isso, esse tipo de projeção é utilizado especialmente para definir rotas aéreas ou marítimas.
  • A projeção equidistante mais comum é centrada em um dos polos, geralmente o polo norte.


Projeção Azimutal Centrada no Polo Norte

  • No centro da projeção pode-se situar a capital de um país, uma base aérea, a sede de uma empresa transnacional, etc. Entretanto, ela apresenta enorme distorções nas áreas e nas formas dos continentes, que aumentam com o afastamento do ponto central.

  • Na projeção azimutal equidistante, as distâncias só são precisas se traçadas radialmente do centro, no caso dessa, o polo norte, até um ponto qualquer do mapa.
Afiláticas
  • Atualmente é comum a utilização de projeções com menores índices de distorção para o mapeamento da superfície terrestre, como a de Robinson.

Projeção de Robinson


  • Essa projeção foi desenvolvida em 1961 pelo geógrafo e cartógrafo americano Arthur H. Robinson (1915 - 2004). Segundo o IBGE:
"É uma projeção afilática (não é conforme nem equivalente ou equidistante) e pseudocilíndrica (não possui nenhuma superfície de projeção, porém apresenta características semelhantes às da projeção cilíndrica)". 
Este tema também está disponível também no vídeo em que falo resumidamente sobre as coordenadas geográficas.

Aula 1.3 - Coordenadas Geográficas









  






quinta-feira, 26 de setembro de 2019

CARTOGRAFIA E OS SEUS FUNDAMENTOS

  • Situar-se no espaço geográfico sempre foi uma preocupação dos grupos humanos. Nos primórdios, isso acontecia em virtude da necessidade de se deslocar para encontrar abrigo e alimentos. 
  • Com o passar do tempo, as sociedades se tornaram mais complexas e surgiram muitas outras necessidades.
  • Segundo a Associação Cartográfica Internacional (ACI), em definição estabelecida em 1966 e ratificada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) no mesmo ano:
    • "A Cartografia apresenta-se como o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que, tendo por base os resultados de observações diretas ou da análise de documentação, se voltam para a elaboração de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos, elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização".

FORMAS DE ORIENTAÇÃO
  • O ser humano sempre necessitou de referências para se orientar no espaço geográfico: 
    • Um rio, um morro, uma igreja, um edifício, à direita, à esquerda, acima, abaixo, etc.
  • Também por muito tempo se orientou pelo Sol e pelas estrelas. Mas, para ter referências um pouco mais precisas, inventou os pontos cardeais e colaterais.
  • Observe a imagem da Rosa-dos-ventos.
    • São pontos cardeais:
      • N - Norte;
      • E - Leste;
      • S - Sul;
      • W - Oeste.
    • São pontos colaterais:
      • NE - Nordeste;
      • SE - Sudeste;
      • SW - Sudoeste;
      • NW - Noroeste.
  • A rosa-dos-ventos possibilita encontrar a direção de qualquer ponto da linha do horizonte (numa abrangência de 360º).
  • O nome foi criado no século XV por navegadores do mar Mediterrâneo em associação aos ventos que impulsionavam suas embarcações.
  • A rosa-dos-ventos indica os pontos cardeais e colaterais e aparece no mostrador da bússola, que tem uma agulha sempre apontado para o norte magnético.
  • O uso da bússola associada à rosa-dos-ventos permite encontrar rumos em mapas, desde que ambos estejam com direção norte apontada corretamente. Assim, o usuário pode encontrar os outros pontos cardeais e colaterais, orientando-se no espaço geográfico.
  • A bússola foi inventada pelos chineses provavelmente no século I, porém só foi utilizada no século XIII em embarcações venezianas. A partir do século XV, foi fundamental para orientar os marinheiros nas Grandes Navegações.
  • Podemos perceber que quando uma pessoa está perdida num lugar, costuma-se dizer que ela está "desnorteada", ou seja, perdeu o norte ou "desorientada", ou seja, perdeu o oriente.
  • Atualmente, com o avanço tecnológico, é muito mais preciso se orientar pelo GPS.
ORIENTAÇÃO PELO SOL
  • Um dos aspectos mais importantes para a utilização eficaz e satisfatória de um mapa diz respeito ao sistema de orientação empregado por ele.
  • O verbo orientar está relacionado com a busca do oriente, palavra de origem latina que significa "nascente". Assim, o "nascer" do sol, nessa posição, relaciona-se à direção (ou sentido) leste, ou seja, ao Oriente.
  • Possivelmente, o emprego dessa convenção está ligado a um dos mais antigos métodos de orientação conhecidos. Esse método se baseia em estendermos nossa mão direita (braço direito) na direção do nascer do sol, apontando, assim, para a direção leste ou oriental; o braço esquerdo esticado, consequentemente, se prolongará na direção oposta, oeste ou ocidental; e a nossa frente estará voltada para o norte, na direção setentrional ou boreal. Finalmente, as costas indicarão a direção do sul, meridional, ou ainda, austral.
  • A representação dos pontos cardeais se faz por leste (E - east/L - leste); oeste (W - west/O - oeste); norte (N) e sul (S). 
  • ATENÇÃO:
    • Deve-se tomar cuidado ao fazer uso dessa maneira de representação, já que, dependendo da posição latitudinal do observador, nem sempre o sol estará exatamente na direção leste.
FUSOS HORÁRIOS
  • Em razão do movimento de rotação da Terra, em um mesmo momento, diferentes pontos longitudinais da superfície do planeta têm horários diversos.
  • Desde que foi criada uma forma de marcar o tempo, inicialmente com o relógio de sol, cada localidade adotava seu próprio horário. Com a invenção do relógio mecânico e o gradativo ganho de precisão, lugares muito próximos em termo de longitude chegavam a apresentar diferenças de minutos em seus horários.
  • No século XIX, com o desenvolvimento do transporte ferroviário e o consequente aumento da circulação de pessoas e mercadorias, essas pequenas diferenças de horários entre localidades muito próximas começaram a causar grandes transtornos. Para resolver esse problema, em um encontro da Sociedade Geodésica Internacional, realizado em 1883 em Roma (Itália), foi decidida a criação de um sistema internacional de marcação do tempo.
  • Para isso, foram definidos os fusos horários. Dividindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas de duração aproximada do movimento de rotação, resultam 15 graus.
  • Portanto, a cada 15 graus que a Terra gira, passa-se um hora, e cada uma dessas 24 divisões recebe o nome de Fuso Horário.
  • Em 1824, 25 países se reuniram na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington (EUA). Nesse encontro ficou decidido que as localidades situadas num mesmo fuso adotariam um único horário. Foi também acordado pela maioria dos delegados dos países participantes que o meridiano que passa por Greenwich seria a linha de referência para definir as longitudes e acertar os relógios em todo o planeta.
  • Para estabelecer os fusos horários, definiu-se o seguinte procedimento:
    • O fuso de referência se estende de 7º30' para leste a 7º30' para oeste do Meridiano de Greenwich, o que totaliza uma faixa de 15 graus.
  • Portanto, a longitude na qual termina o fuso seguinte a leste é 22º30'E (e, para o fuso correspondente a oeste, é 22º30'W). Somando continuadamente 15º a essas longitudes, obteremos os limites teóricos dos demais fusos do planeta.
  • As horas mudam, uma a uma, à medida que passamos de um fuso a outro. No entanto, como as linhas que os delimitam atravessam várias unidades político-administrativas, os países fizeram adaptação estabelecendo, assim, os limites práticos dos fusos.
  • Nesses casos, os limites dos fusos coincidem com os limites políticos-administrativos, na tentativa de manter, na medida do possível, um horário unificado num determinado território. A China, por exemplo, apesar de ser cortada por três fusos teóricos, adotou apenas um horário (+8 UTC) para todo seu território.
  • Alguns poucos países utilizam um horário intermediário, como a Índia, que adota um fuso de +5h30min em relação a Greenwich.
  • Observe abaixo o mapa-múndi com os fusos horários.
  • Com a adoção dos limites práticos, em alguns territórios os fusos podem medir mais ou menos que os tradicionais 15º, como se pode verificar no mapa acima.
  • Observe que as horas aumentam para leste e diminuem para oeste, a partir de qualquer referencial adotado. Isso ocorre porque a Terra gira do oeste para o leste. Como o sol nasce a leste, à medida que nos deslocamos nessa direção, estamos indo para um local onde o sol nasce antes e, portanto, as horas estão "adiantadas" em relação ao local de onde partimos. Quando nos deslocamos para oeste, entretanto, estamos nos dirigindo a um local onde o sol nasce mais tarde, e, portanto, as horas estão "atrasadas" em relação ao nosso ponto de partida.
  • Além da mudança das horas, tornou-se necessário definir um meridiano para a mudança da data no mundo. Na Conferência de 1884, ficou estabelecido que o meridiano 180º, conhecido como antimeridiano, seria a Linha Internacional de Data (ou simplesmente Linha de Data). 
  • O fuso horário que tem essa linha como meridiano central tem uma única hora, como todos os outros, entretanto em dois dias diferentes. A metade situada a oeste dessa linha estará sempre um dia adiante em relação à metade a leste. Com isso, ao se atravessar a Linha de Data indo do leste para o oeste é necessário aumentar um dia.
    • Por exemplo: Numa hipotética viagem de São Paulo (Brasil) para Tokyo (Japão) via Los Angeles (EUA), um avião entrou no fuso horário da Linha de Data às 10 horas de um domingo. Imediatamente após cruzar essa linha, ainda no mesmo fuso, continuarão sendo 10 horas, mas do dia seguinte, uma segunda-feira.
    • Já na viagem de volta ocorrerá o contrário, pois essa será do oeste para o leste, e quando o avião cruzar a Linha de Data deve-se diminuir um dia.
  • Esse exemplo pode causar estranheza, já que estamos acostumados a observar, no planisfério centrado em Greenwich, o Japão situado a leste, mas como o planeta é esférico, podemos ir a esse país voando para o oeste.
  • Como observamos no mapa de fusos horários, a partir do meridiano de Greenwich, as horas vão aumentando para o leste e diminuindo para o oeste. Entretanto, diferentemente do que muitas vezes se pensa, ao atravessar a Linha de Data indo para o leste deve-se diminuir um dia e, ao contrário, indo para o oeste, aumentar um dia.
  • Assim como os meridianos que definem os fusos horários civis, a Linha Internacional de Mudança de Data também adota limites práticos, caso contrário alguns países-arquipélago do Pacífico, como Kiribati, teriam dois dias diferentes em seus territórios. Na metade do fuso localizada a leste da Linha Internacional de Mudança de Data é domingo e na metade a oeste, segunda-feira.
  • Perceba que a referência aqui considerada foi a Linha de Data, assim a metade do fuso situada a leste dela está a oeste em relação a Greenwich (portanto, no hemisfério ocidental), e a outra metade, situada a oeste dela, está a leste do meridiano principal (no hemisfério oriental).
    • Lembre-se: A definição dos pontos cardeais (e colaterais) depende sempre de um referencial.
FUSOS HORÁRIOS BRASILEIROS
  • No Brasil, até 1913 as cidades tinham sua própria hora. Por exemplo, segundo o Observatório Nacional, "quando na capital federal, atual cidade do Rio de Janeiro, eram 12 horas, em Recife eram 12h33' e em Porto Alegre eram 11h28'.
  • Com o desenvolvimento dos transportes isso começou a provocar muita confusão, tornando-se necessária a adoção de fusos horários.
  • Em 18 de junho de 1913, o então presidente Hermes da Fonseca sancionou um Decreto nº 2784 criando quatro fusos horários no país, situação que perdurou ate 2008.
  • Apesar da adoção do fuso horário prático, dois estados brasileiros extensos, Pará e Amazonas, permanecem "cortados ao meio".
  • Em 24 de abril de 2008, foi aprovada uma lei (Lei nº 11.662) que eliminou o antigo fuso de -5 UTC e reduziu a quantidade de fusos horários brasileiros para três.
  • A sudoeste do Estado do Amazonas e todo o Estado do Acre, que antes estavam no fuso -5 UTC, foram incorporados ao fuso -4 UTC. O Estado do Pará deixou de ter dois fusos horários e seu território ficou inteiramente no fuso de -3 UTC em relação a Greenwich.
  • No entanto, grande parte da população do Acre não ficou satisfeita com a mudança, pois causava transtornos em seu dia a dia.
    • Por exemplo: De manhã, muitos estudantes e trabalhadores saíam de casa com o céu ainda escuro. Por isso, num plebiscito realizado em 31 de outubro de 2010, mesmo dia em que se votou nas eleições presidenciais, a maioria da população decidiu pela volta do antigo fuso.
  • O eleitor acriano respondeu à seguinte pergunta:
"Você é a favor da recente alteração do horário legal promovida nesse Estado?" 

    • Do total de eleitores, 56,9% responderam "não", e com isso abriu-se a possibilidade de tramitação de uma nova lei no Congresso Nacional, regulamentando o desejo da maioria da população do Acre. Em 30 de outubro de 2013, foi aprovada a Lei nº 12.876, que revogou a legislação de 2008 e reintroduziu o fuso -5 UTC (essa mudança entrou em vigor em 10 de novembro de 2013).
  • Observe o mapa abaixo:
     
  • Podemos observar no mapa que o Estado do Acre e o sudoeste do Estado do Amazonas voltaram a fazer parte do quarto fuso brasileiro (-5 UTC e -2 UTC em relação ao horário de Brasília, diferença que aumentava para 3 horas quando o horário de verão estava em vigor).
  • ATENÇÃO:
    • O atual presidente Jair Bolsonaro assinou, no dia 25 de abril de 2019, o Decreto que acaba com o horário de verão no Brasil. A justificativa foi que o fim do período aumentaria a produtividade do trabalhador.
    • No mapa pode-se observar que não houve mudança com o Estado do Pará, que permanece inteiramente no segundo fuso brasileiro (-3 UTC).
    • Quando o horário de verão ainda estava em vigência, a hora oficial do país se igualava ao horário do nosso primeiro fuso, e o horário dos Estado do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que estão no terceiro fuso, igualava-se ao horário do Pará e dos Estados da região Nordeste, localizados no segundo fuso.
    • O fuso -2 UTC (em relação a Greenwich) é exclusivo de ilhas oceânicas. O fuso -3 UTC corresponde ao horário de Brasília, a Hora Oficial do Brasil. O limite entre os fusos -4 e -5 UTC é uma linha imaginária que se alonga do município de Tabatinga, no Estado do Amazonas, até o município de Porto Acre, no Estado do Acre. 
Este tema também está disponível em duas mini-aulas sobre a Cartografia e os Paralelos e Meridianos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Aula 2.2 - Estruturas Internas da Terra


No vídeo de hoje, iremos falar sobre as Estruturas Internas da Terra, mais especificamente sobre o núcleo, o manto e a crosta terrestre, além das suas descontinuidades.




quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Os 15 países que mais produzem petróleo no mundo (1965-2018)

Nesse vídeo, publicado pelo canal ARCO vemos um gráfico dinâmico acerca dos principais países produtores de petróleo entre os anos de 1965 a 2018.

As fontes utilizadas foram a Revisão Estatística da Energia Mundial 2019 da British Petroleum e da Administração de Informações Energéticas dos EUA com foco de pesquisa em petróleo bruto e locação de condensação.





quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Aula 2.1 - Eras Geológicas

Iniciando o primeiro vídeo da aula 2 que terá como tema a Geomorfologia. Nesse vídeo, iremos falar sobre as Eras Geológicas.