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sexta-feira, 24 de junho de 2016

BREXIT: A SAÍDA DO REINO UNIDO DA UNIÃO EUROPÉIA



Embora por uma margem apertada - 51,9% a 48,1% -, o Reino Unido votou pela saída da União Europeia (UE) no plebiscito realizado nesta quinta-feira.
Trata-se de uma decisão histórica, que muda a relação do país com seus vizinhos e com o mundo. O país pertenceu ao bloco desde a fundação de seu embrião, a Comunidade Econômica Europeia, há 43 anos.

Como fica o governo do país

O primeiro-ministro britânico, David Cameron foi a principal liderança na campanha pela permanência do país na UE e anunciou, na manhã desta quinta-feira, que deixará o cargo, ainda que não imediatamente - em seu discurso, ele disse esperar que o Reino Unido tenha um novo premiê até outubro.
Não se sabe ainda quem será seu sucessor; é provável que seja um dos figurões do Partido Conservador que estiveram engajados na campanha pela saída da UE, como o ex-prefeito de Londres Boris Johnson ou o ex-ministro da Educação Michael Gove.

Como será o processo de saída da UE

Durante a campanha, Cameron disse que uma vitória da saída no plebiscito o levaria a ativar a Cláusula 50 do Tratado de Lisboa, que desde 2009 funciona como uma espécia de Constituição Europeia - dando início ao processo formal de retirada do bloco.
Uma vez que o Artigo 50 é acionado, não dá para voltar atrás: um país só pode voltar à UE com o aval unânime dos outros países-membros.
O processo de saída, porém, não é automático - ele tem de ser negociado com os membros do bloco.
Essas negociações têm prazo máximo de dois anos e o Parlamento Europeu tem poder de veto sobre qualquer novo acordo formalizando o relacionamento entre o Reino Unido e a União Europeia.
Michael Gove e Boris Johnson, os principais líderes da campanha pela saída, disseram que não há necessidade imediata de ativação da cláusula. Seu raciocínio é que um pouco de "tempo para respirar" poderia convencer os outros líderes europeus a aceitar uma saída amigável dos britânicos, sobretudo no que diz respeito ao acesso do país ao mercado comum.
O grande problema é a incerteza, já que nenhum país da União Europeia até hoje deixou o bloco desde sua criação.
As negociações de saída ainda não têm data de início, mas prometem ser complexas, pois envolvem a rescisão de tratados internacionais e, sobretudo de legislação interna britânica. Para começar, o Parlamento britânico precisa derrubar os atos que dão primazia à lei europeia sobre a britânica.
Para se ter uma idea da complexidade, há pelo menos 80 mil páginas de acordos entre o Reino Unido e a União Europeia.

E a reação dos mercados?

Todo os olhos agora estão nos mercados, incluindo a Bolsa de Londres, mas o resultado do plebiscito já foi o suficiente para derrubar a cotação da moeda britânica, a libra esterlina, para seu menor valor em relação ao dólar desde 1985.
O Banco Central Britânico já anunciou que intervirá para tentar manter a estabilidade da moeda, mas mesmo os partidários da saída britânica da UE dizem esperar um período de incerteza nos mercados.

Como será a reação da Europa

Os líderes dos países da UE manifestaram seu desejo de que o Reino Unido permanecesse no bloco, e o resultado do plebiscito vai causar consternação do outro lado do Canal da Mancha. É bastante provável que uma reunião de cúpula de emergência já ocorra durante o fim de semana.
É difícil prever o que vai acontecer. Em Bruxelas, o centro nervoso da UE, já há rumores sobre uma oferta de concessões de última hora para tentar impedir o "Brexit" - fala-se em um tipo especial de presença, em que o Reino Unido ficaria no bloco, mas teria maior controle sobre a imigração, um dos tópicos que mais influenciaram o voto pela saída.
No entanto, políticos britânicos dos dois lados da discussão já afirmaram a importância de respeitar o resultado das urnas.
E o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, disse essa semana que os britânicos não poderiam esperar boa vontade de Bruxelas caso optassem pela saída. Uma atmosfera pesada de negociações é uma possibilidade bastante real.
Os líderes europeus temem também que o resultado britânico estimule o "separatismo" em outros países.

As batalhas que o Parlamento terá pela frente

A maioria dos 650 deputados federais britânicos é favorável à permanência do Reino Unido na UE, e apesar da necessidade de respeitar o desejo do povo, expressado pelo resultado do plebiscito, eles não serão testemunhas silenciosas do processo de saída.
Há pelo menos 450 deputados de diversos partidos articulando o lobby para que as negociações com a UE tenham a permanência britânica no mercado europeu como condição fundamental.
Isso, porém, forçaria o Reino Unido a manter suas fronteiras com a UE abertas para trabalhadores europeus e continuar contribuindo para o orçamento do bloco - um ponto controverso para os defensores da saída.
E deputados favoráveis à saída querem a aprovação de legislação especial para pavimentar as negociações da retirada. E já identificaram justamente o objetivo de derrubar o ato parlamentar que em 1972 trouxe o Reino Unido para a então Comunidade Econômica Europeia.

E o impacto sobre as nações do Reino Unido?

O placar final apertado do plebiscito não foi o único indicador de imensa divisão entre os britânicos.
Houve imensa disparidade na distribuição regional dos votos, e o fato de que a Escócia votou em peso pela permanência na UE não passou despercebido (66% votaram para ficar no bloco).
Em 2014, o país realizou um plebiscito de independência em que 55% da população defendeu a manutenção da união estabelecida em 1707.
Mas agora, seus líderes têm argumentos para forçar uma nova consulta.
Durante a campanha do plebiscito da UE, o Partido Nacional Escocês (SNP) alertou que a Escócia não aceitaria ser "removida à força" do bloco e que o processo poderia ressuscitar a causa separatista.
Na Irlanda do Norte, onde 56% votaram pela permanência, lideranças republicanas, favoráveis a uma reunificação com a Irlanda ventilaram a possibilidade de um plebiscito sobre independência.
Fonte: BBC Brasil/UOL Notícias

domingo, 19 de junho de 2016

DETECTOR DE METAL NO RESTAURANTE E VÁRIAS NOTAS PARA COMPRAR REFRIGERANTE

Não caminhe do centro para casa. Nem pense em usar o metrô. Não saia depois das 18h30. Traga tudo que precisar, inclusive sabonete para o banho, já que nem os hotéis cinco entrelas o estão dando. Não marque de almoçar com amigos: todo mundo está "duro".
Pareciam conselhos para quem vai, se não para um front de guerra, ao menos para um local bem distante da sua própria realidade. Mas eu estava indo para meu país.
Fazia quatro anos que eu não colocava os pés na Venezuela. Não era a primeira vez que experimentava o choque do regresso após uma longa temporada no exterior.
Deste vez, foi diferente. Nesse tempo, o presidente Hugo Chávez morreu. O preço do petróleo despencou de mais de US$ 100 (R$ 350) para cerca de US$ 40 (R$ 140).
O que primeiro chamou minha atenção foi o quão vazio parecia estar o aeroporto, ainda mais em comparação com o de Bogotá, na Colômbia, onde havia feito escala.
Contei pouco mais de uma dezena de aviões estacionados em frente ao terminal internacional em uma tarde de domingo e, pela primeira vez, não tive de esperar em uma fila para fazer a imigração.
Estava contente, tomada pela sensação de voltar para casa e reencontrar coisas tão familiares. El Ávila, a montanha que rodeia o vale onde fica Caracas, estava bela como sempre.
Os rachos (edifícios precários das vizinhanças mais pobres) estavam mais sujos do que quando foram pintados de amarelo, verde, azul, violeta e vermelho, mas continuavam nos mesmos lugares. Assim como o buraco na estrada que uma vez me custou um pneu furado.
Mas bastou comprar uma garrafa de água para matar a sede em meio ao calor tropical para acordar e ver que a realidade não era a mesma que eu havia deixado para trás.
Fonte: BBC Brasil/UOL Notícias

sexta-feira, 20 de maio de 2016

EM MEIO A TENSÃO POLÍTICA, VENEZUELA PREPARA MAIOR EXERCÍCIO MILITAR DE SUA HISTÓRIA

A Venezuela está preparando os maiores exercícios militares de sua história, que serão realizados neste sábado, após o governo do país sul-americano ter dito que está em alerta máximo em um momento em que a oposição pressiona por um referendo para tirar o presidente Nicolás Maduro.
"A Venezuela está ameaçada", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, na televisão estatal na quinta-feira. "Esta é a primeira vez que realizamos um exercício dessa natureza no país. Em termos de alcance nacional, ele vai estar em todas as regiões estratégicas".
Maduro anunciou os exercícios no fim de semana passado, um dia depois de prometer que prolongará os poderes especiais de emergência de seu governo. Divagando em uma entrevista coletiva que concedeu na terça-feira, Maduro disse que aviões espiões dos EUA, inclusive um Boeing 707 E-3 Sentry, entraram ilegalmente no espaço aéreo do país nesta semana. O país já estava em um elevado estado de alerta desde que os EUA renovaram um decreto presidencial que afirma que o país sul-americano é uma ameaça para sua segurança nacional, disse Padrino López.
O governador opositor Henrique Capriles disse que a "hora da verdade" chegou para as Forças Armadas do país na terça-feira, um dia antes que as forças de segurança usassem gás lacrimogênio contra manifestantes contrários ao governo na região central de Caracas.

Manifestações e diálogo

A oposição prometeu realizar mais manifestações em todo o país para pressionar o conselho eleitoral, CNE, a processar uma petição para ativar um referendo revogatório. Ela acusa o governo de dilatar o processo para evitar eleições antecipadas.
Maduro, em transmissão da televisão estatal, disse que o secretário-geral do bloco regional Unasul, Ernesto Samper, o ex-presidente da Republica Dominicana Leonel Fernández, o ex-presidente do Panamá Martín Torrijos e o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero apoiarão um processo de diálogo com a oposição. Os ex-líderes ajudarão os opositores a "respeitar a constituição", disse Maduro.

Maduro disse que esperava que a oposição "cedesse" e cooperasse em um processo de paz. Ele não entrou em detalhes.
As crescentes tensões políticas e econômicas estão cercando o país com a inflação mais alta do mundo, escassez de produtos básicos e controles cambiais. A insatisfação com a piora da economia e com o aumento da criminalidade desencadeou meses de manifestações contra o governo que resultaram em dezenas de mortos e centenas de feridos há dois anos.
"O governo está tentando assumir o papel de vítima tanto para a comunidade internacional quanto para seus próprios seguidores", disse Rocío San Miguel, diretora da Control Ciudadano, uma ONG de investigação sobre segurança com sede em Caracas, em uma entrevista. "Eles estão procurando uma distração para ganhar tempo, e não há distração melhor do que uma de cunho militar".
Fonte: UOL Notícias

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A POLARIZAÇÃO POLÍTICA EM 360°

Vejam como foi a divisão política no domingo (17 de abril), a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rouseff. As imagens foram produzidas pelo UOL e pode girar a câmera em 360 graus, podendo visualizar os dois lados da manifestação.




Fonte: UOL Notícias

sexta-feira, 25 de março de 2016

PAÍSES QUE JÁ ALTERARAM SUAS BANDEIRAS

Nesta quinta-feira (24 de março), houve um referendo para a mudança da bandeira da Nova Zelândia, promovida pelo premiê neozelandês Jonh Key, que se dizia favorável a mudança porque a atual bandeira do país é muito parecida com a da Austrália e que ainda traz resquícios da colonização britânica no país.

O resultado do referendo na Nova Zelândia, mostraram que 57% da população decidiram manter a bandeira atual e 43% eram favoráveis a mudança no símbolo nacional.

Mas existem outros de países que mudaram suas bandeiras, tanto por motivação política ou ideológica, que foram:

MALÁUI - Sua atual bandeira foi inicialmente usada de 1964, quando o país se tornou independente do Reino Unido, até 2010. Naquele ano, o Partido Democrático Progressista, recém-eleito, decidiu alterá-la. A mudança foi revertida em 2012.

LÍBIA - 
Originalmente criada em 1951 para ser o símbolo do reino da Líbia, a bandeira caiu em desuso em 1969. Voltou a ser adotada como símbolo nacional em 2011, após o coronel Muammar Gaddafi ser deposto.



MIANMAR - 
Substituiu em 2010 a bandeira socialista, usada no país desde 1974. A mudança veio junto com a instituição de uma nova Constituição, em 2008.                                                                  
           



IRAQUE - 
Em 2008, o novo modelo deixou de lado as três estrelas que simbolizavam desde 1963 a esperança de uma união com a Síria e o Egito. Foi mantida a frase introduzida por Saddam Hussein em 1991, em que se lê: "Deus é grande".













VENEZUELA - 
Em 2006, o então presidente Hugo Chávez modificou a bandeira do país, usada por 200 anos, para celebrar a chamada revolução bolivariana, acrescentando uma oitava estrela e fazendo com que o cavalo do escudo nacional galopasse para a esquerda em vez de para a direita.















GEÓRGIA - 
Foi adotada em 2004. Era originalmente a bandeira do partido Movimento de União Nacional e foi usada amplamente durante a Revolução das Rosas, que forçou o então presidente Eduard Shevardnadze a renunciar.















ÁFRICA DO SUL - 
Foi adotada em 27 de abril de 1994, ano das primeiras eleições realizadas após o fim do regime de apartheid, dois anos antes. Substituiu a bandeira que era usada desde 1928.















BRASIL - 
Adotada em 1889, com a proclamação da República, sofreu alterações no número de estrelas. Eram 23 até 1991. Passou a ter 27 no ano seguinte para incluir Estados criados a partir de 1982, e houve uma mudança no seu posicionamento para refletir mais precisamente suas coordenadas astronômicas.  


quinta-feira, 24 de março de 2016

NOVA ZELÂNDIA DECIDE MANTER SUA TRADICIONAL BANDEIRA

Em referendo que terminou nesta quinta-feira (24), a Nova Zelândia decidiu manter a bandeira tradicional do país. Resultados preliminares mostram que 56,6% dos neozelandeses preferiram manter a bandeira, enquanto 43,2% optaram pela nova flâmula, de acordo com o jornal britânico "The Guardian". Os resultados oficiais devem ser divulgados na próxima quarta-feira (30).
O primeiro-ministro do país, John Key, apoiava a troca de bandeira e afirmou estar um pouco desapontado. "Obviamente estou um pouco desapontado, não houve mudança, mas quase um milhão de pessoas votou pela mudança. Só porque não é o resultado que eu queria, não significa que não foi um processo interessante", disse.
O orçamento estimado do referendo é de 26 milhões de dólares neozelandeses (equivalente a R$ 70 milhões), incluindo gastos como a alta remuneração dos 12 membros do "Comitê da Bandeira", criado para promover um debate com o público.
Formado por acadêmicos, ex-esportistas, empresários e militares, que recebem no mínimo 640 dólares neozelandeses (mais de R$ 1.700) por dia trabalhado, o grupo se tornou motivo de piada ao organizar eventos fracassados, como workshops que atraíram, respectivamente, oito e dez pessoas nas cidades de New Plymouth e Christchurch.

quarta-feira, 23 de março de 2016

BULLYING POLÍTICO NAS ESCOLAS BRASILEIRAS

Uma camiseta com a bandeira da Suíça, país conhecido por sua neutralidade, teria feito com que um menino de 9 anos fosse xingado e ameaçado em uma escola de São Paulo. O motivo? A peça de roupa era vermelha. Segundo seu pai, João - nome fictício - (*) saía de uma aula de inglês no começo de março quando colegas da mesma idade o chamaram de "petista" e disseram que deveria "ser espancado" e "jogado na rua".
O pai do menino descreveu a história do filho em sua página no Facebook. A postagem tem mais de 4.500 compartilhamentos.
"Fiquei muito assustado em ver as crianças repetindo um discurso de ódio", disse o pai à BBC Brasil.
A polarização política, que tomou conta de ruas e casas no país, está chegando às escolas. Pais, professores e alunos ouvidos pela reportagem contaram que a política nacional tornou-se assunto nas salas de aula. Lá, meninos e meninas com opiniões ligadas à esquerda e à direita se dizem constrangidos por colegas que pensam o contrário. "(Meus amigos) explicam que a Lava Jato é roubar dinheiro das pessoas pobres. Às vezes, no recreio, ficam falando que o Lula está roubando dinheiro de todo mundo e que a Dilma não presta, é comparsa dele. Chamam ela de trouxa, idiota", diz Luisa, de 9 anos.
Ela conta que os bate-papos acontecem na hora do lanche e que até os "preços muito caros da cantina" são colocados na conta do governo. "Falam que é culpa da Dilma, do Lula e da Lava Jato." "De vez em quando, ela me pergunta o que é corrupção. Dou exemplos do dia a dia, não de política. Eles são muito pequenos para se envolver nisso. Hoje conversam muito na escola e chega a ter bullying", diz a vendedora Karina, mãe de Luisa.
Coordenador de ciências humanas do Pueri Domus, um dos colégios mais conhecidos da capital paulista, Ricardo Lourenço diz que os alunos do ensino fundamental estão trazendo a opinião dos pais para a classe. "O frisson veio com força nas eleições de 2014 e nas últimas semanas está ganhando novo fôlego", diz ele.
"Para nós é sempre complicado. De vez em quando, o pai fala na mesa do jantar com uma certa brutalidade, e o aluno repete. No fundamental, ele chega com uma falta de compreensão sobre o tema e posições mais cristalizadas."

'É petista, é petista'

A professora de inglês do Pueri Domus Christina, 40, diz que os alunos se sentem "excluídos e acuados" com as discussões cada vez mais frequentes sobre política. No Facebook, Christina contou o que aconteceu com seu caçula, de oito anos, quando ele chegou na escola na quinta-feira (17), um dia depois da manifestação contra o governo na Avenida Paulista. Segundo ela, a maioria dos colegas estava de preto, "em sinal de luto pelo país" e, quando viram Luis de uniforme, começaram a apontar para ele repetindo "é petista, é petista". O uniforme é branco e azul.
Ela e o marido são contrários ao impeachment, uma minoria entre os pais do colégio no Itam Bibi, zona nobre de São Paulo. A região teve panelaço durante a posse de Lula como ministro da Casa Civil e Luis foi um dos poucos que não foram para as janelas gritar 'Fora Dilma'.
"As crianças têm que poder ir de preto, vermelho, amarelo, sem achar que precisam se vestir assim para pertencer ao grupo", diz a professora, que também é mãe de um menino de 11 anos.
Para evitar embates, Christina tirou as roupas vermelhas "de circulação" e disse aos filhos que não usassem peças dessa cor.
Questionado sobre casos como esse, Luis Claudio Megiorin, presidente da Aspa-DF (associação de pais e alunos do DF) e coordenador da Confenapa (Confederação Nacional das Associações de Pais e Alunos), diz que é melhor prevenir do que remediar.
"Vai levar tempo para gente voltar a usar vermelho. Até para as crianças não sofrerem nenhuma retaliação e nenhum tipo de crítica: evitem usar vermelho."
Megiorin foi com a família aos protestos contra o governo e aconselhou os filhos a não usarem a cor para não serem confundidos com outros manifestantes.

"Os pais que levam os filhos para as manifestações vão incorporando um sentimento de Justiça. Outro dia mostrei para o meu filho de 10 anos o samba (sobre o) Lula e ele começou a rir porque sabia o que tinha ali", afirma.
"Já começo a ver ele e coleguinhas esboçando um 'Fora Dilma' (e outras) palavras de ordem, porque estão vendo o exemplo."

'Ideologia de esquerda'

Se parte dos pais notam uma intolerância maior contra posições à esquerda, há quem diga o contrário. Uma parcela das familias afirma que pensamentos de direita são subjugados em escolas em que haveria uma "doutrinação marxista". Em suas provas de história, Mariana, 17, normalmente escreve recados criticando o comunismo e Karl Marx. Ela costuma discutir com o professor sobre a abordagem das aulas e se diz isolada do resto da turma por suas opiniões mais ligadas à direita.
O pai de Mariana, o analista de sistemas Roberto, 37 anos, de Brasília, se orgulha das posições da filha e diz que, por causa delas, a adolescente é excluída pelos colegas. Roberto foi com Mariana e a irmã para as manifestações antigoverno em Brasília.
"Minha irmã mais velha sente muito o isolamento, foi chamada perante o coordenador por discordar do professor. Ela gosta do Bolsonaro e se fala no nome dele na sala, é zoada."
O advogado Miguel Nagib, do movimento Escola sem Partido, diz que os ambientes acadêmicos devem ser despolitizados. Ele considera que há muitos docentes militantes, que aproveitam as aulas para disseminar visões de esquerda.
"É evidente que também existem professores de direita que abusam da sua liberdade de ensinar para fazer a cabeça dos alunos. Mas são franco-atiradores. No Brasil, quem promove a doutrinação político-ideológica (...) de forma sistemática (...) é a esquerda."

Conversa

Apesar da forte polarização política, a coordenadora do Núcleo de Psicoterapia Infantil da PUC-SP, Ana Maria Trinca, diz que é preciso deixar as paixões de lado ao explicar para os filhos o momento político. "A função da escola e dos pais é acalmar e colocar as coisas em termos menos radicais."
A psicanalista diz que hoje a emoção transpassa toda a discussão e isso é perigoso quando as crianças usam o comportamento adulto como modelo.
"As atitudes estão muito extremadas. É fundamentalmente emoção. Quando vai às manifestações, a criança está inserida numa festa. Isso a estimula, mas ela não sabe porquê. Se os adultos não estão entendendo, ela não poderá fazê-lo. E aí (se alguém) está de vermelho, a criança é contra. É simples."
Depois das participações em protestos, por exemplo, é necessário conversar, diz Trape. "Em vez de chamar fulano de burro ou de idiota, o pai e a mãe devem explicar a situação, propor uma leitura com menos violência embutida." No entanto, para o professor da faculdade de educação da USP Elie Ghanem esse diálogo é difícil, porque os adultos sabem tão pouco do processo político quanto os pequenos.
"Eles têm uma dificuldade semelhante, a pouca experiência com a vida política. De modo geral, os adultos são desinformados. Muitos não compreendem a existência dos três poderes nem a relação entre eles."
Para Ganhem, com deficiências nos colégios e no Estado, que não criam condições para o desenvolvimento de opiniões fundamentadas, o jeito é incentivar a busca por informações e o debate em casa. A escola também tem um papel fundamental na formação de uma consciência crítica, diz a professora do Instituto de Piscologia da USP Marilene Proença. Ela explica que as salas de aula são ideais para aprofundar a discussão, mostrar as raízes do problema. "Assim saímos desse lugar do bem e do mal, do 'vermelhos versus pretos'."
Fonte: BBC Brasil/UOL Notícias